Espaço do Piero - Pela nossa gente
quinta-feira, 14 de maio de 2009Quem acompanhou os telejornais locais nesta quinta-feira (14/05), percebeu que dois temas foram destaque: a manutenção da grave de médicos e o cumprimento de um mandado de desapropriação de terras, no bairro Cruz de Ferro. Em ambos os casos, ficou claro que os grandes prejudicados são os cidadãos mais carentes.
Com relação à desapropriação, não nos cabe questionar a decisão da Justiça. Pelo menos não no calor do momento. Existem meios para isso. De nada adianta tentar obstruir o trabalho dos policiais. É lei e precisava ser cumprida. Todavia, foi impossível não se sensibilizar com o choro de um garoto desesperado com o seu futuro incerto. A pergunta que fica é: o que será destas famílias? Embora tenham sido vítimas de um golpe, elas pagaram pelos terrenos. E agora? Como vão recomeçar?
Na verdade, é dever do poder público prestar assistência digna a estas pessoas: garantir que elas sejam alojadas e disponham da infraestrutura e recursos necessários para a sua sobrevivência; penso eu que essas famílias devem ter prioridade nos programas de habitação. É o mínimo que se pode fazer para preservar a dignidade desses cidadãos.
Falando em dignidade… a paralisação dos médicos ainda continua. Tudo bem, ninguém discute que a greve é um direito previsto na constituição, todavia a lei também diz que, no caso dos serviços essenciais, parte do atendimento deve ser mantida. Onze dias depois do início do movimento, prefeitura e grevistas ainda não chegaram a um acordo. Enquanto isso, alguns médicos defendem que “o mau atendimento” é necessário para chamar a atenção da causa. À população, restam duas alternativas: recorrer ao superlotado pronto-atendimento da Santa Casa ou rezar para não precisar do serviço público.
Por Piero Vergílio
