Quando eu trabalhava em Nova Iorque assisti a uma palestra de um diretor de um grande banco sobre as oportunidades de investimento no mundo contemporâneo. Ele falava das vantagens comparativas e competitivas de cada país, inclusive os emergentes.
Quando falou do Brasil mostrou os dados de nosso mercado interno, de nosso sistema bancário, de nosso potencial turístico, de nosso desenvolvimento em tecnologia de informação, de nossa riqueza natural, da ausência de terremotos, furacões, etc. e quando terminou, com todos os participantes boquiabertos com nossas vantagens comparativas, ele disse: “Imaginem se esse País fosse sério.” Isso foi em 1990.
Dezenove anos se passaram e a sensação é a mesma: jogamos fora as oportunidades de um crescimento sustentado, de uma redistribuição de renda mais justa e de acesso ao emprego, à educação e cultura às camadas mais pobres do nosso Brasil.
Talvez seja chegada a nossa hora de aprender.
Talvez seja chegada a nossa hora de aprender que vale a pena ser sério, honesto, cumprir contratos, respeitar prazos, educar pessoas, assumir compromissos, ser leal com a verdade e com a justiça.
A verdade é que todos nós, brasileiros, já estamos cansados de sofrer as conseqüências de nossa inconseqüência. Cansados de ver o País do futuro que nunca chega, da lei que não é cumprida, da autoridade que corrompe, da obra que não termina, da verba que some, da manchete que assusta. Penso, enfim, que estamos cansados de nossa esperteza que só perde, do “levar vantagem em tudo” e até de acreditar num Deus brasileiro.
Portanto é hora de mudar. É hora de assumir uma conduta de gente séria, honesta, cumpridora dos deveres, da palavra, dos contratos. É hora de nos indignarmos com a complacência do mal, com a permissão do erro, com o descumprimento da lei. E essa é uma tarefa de cada um de nós, brasileiros de verdade, em nossos lares, em nossas famílias, em nosso emprego. É hora de fazer bem feito, de ser honesto, de cumprir o que promete, de educar bem nossos filhos, de respeitar os colegas, de aumentar a qualidade de nossos produtos e serviços, de respeitar clientes, de fazer o certo e ter vontade de ser melhor.
É hora de voltar a ter orgulho de ser brasileiro e mostrar não só ao mundo mas a nós mesmos que este é sim, um País sério, com gente honesta, trabalhadora e honrada e que não aceita ser julgado pela exceção.
Por Luiz Marins