Arquivo de agosto de 2009

Semana que vem aqui no Advance Blog…

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

… vamos falar mais dos cursos de qualificação, imprescindíveis para qualquer funcionário que deseja progredir na carreira. Agora a pergunta que não quer calar: de quem é a responsabilidade pelo custeio de tais cursos? Do funcionário? Da empresa? De ambos? A questão é polêmica: muitas empresas temem que este seja um investimento em vão, pois temem que o funcionário receba uma proposta melhor da concorrência. Este e outros temas serão discutidos aqui, na semana que vem.

Bom fim de semana

Por Piero Vergílio

O rico mercado dos pobres

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

C. K. Prahalad, professor de Estratégia Corporativa na Escola de Negócios da Universidade de Michigan, vem trabalhando, nos últimos anos, numa tese de que o mercado dos pobres deve ser explorado para o bem da humanidade.

Em seu livro, “The Fortune in the Bottom of the Pyramid: Eradicating Poverty through Profits”, indica que não somente as empresas podem fazer dinheiro vendendo aos pobres, “mas devem sentir-se obrigadas a empreender tal esforço para diminuir a distância entre países ricos e pobres.”  Prahalad vê nos pobres um mercado potencial de 4 bilhões de pessoas que poderão ser 6 bilhões nos próximos 40 anos.

Sua tese se baseia na realidade de que, tomados em seu conjunto, nações em desenvolvimento, como China, Índia, Brasil, México, Rússia, Indonésia, Turquia, África do Sul e Tailândia, têm mais PIB, em Paridade de Poder de Compra, (Purchasing Power Parity) que o Japão, a Alemanha, a França, o Reino Unido e a Itália. A base da pirâmide para Prahalad é a maior oportunidade de mercado na história do comércio mundial.

Um ponto central do livro é que o esforço para ajudar os mais pobres pode revelar-se um sucesso em diferentes países e em diferentes setores da economia. Constituem uma exceção os países cujo sistema jurídico seja muito precário como Somália e o Congo, por exemplo, e os que têm apenas e tão somente indústrias mais básicas, como as de extração.

O lucro, diz o autor não é o único objetivo para as empresas atuarem mais firmemente nos mercados pobres. A criação de empregos, a luta contra a exclusão social, a atuação para melhorar o caos político, o terrorismo e a degradação ambiental, são motivos suficientes para uma empresa agir nessas regiões. Essas condições geram instabilidade e violência que afetam os países de primeiro mundo e os próprios ricos.

A estratégia para trabalhar nesses mercados, ressalta o Prof. Prahalad, não é simples. Talvez esta seja uma das maiores razões pelas quais as grandes empresas não tentaram colocar seus produtos para as grandes massas das pessoas pobres. Quem é pobre geralmente vive em zonas rurais e faz parte de uma economia informal, o que exige uma estratégia e uma abordagem de mercado totalmente diferente da utilizada em mercados convencionais urbanos.

No livro ele dá alguns exemplos: Em Bangladesh, algumas empresas fazem um bom negócio alugando telefones celulares por minuto. Em Kerala, Índia, imagens de satélite dos cardumes são descarregadas em PCs nas cidades, lidas e interpretadas por mulheres que indicam seguidamente aos seus cônjuges onde pescar. Por seu lado, os homens, após um dia de pesca, utilizam os seus telefones celulares para rever os preços de vários portos da costa e obter a melhor oferta pela sua mercadoria.

Para Prahalad, estes exemplos são provas que há soluções de mercado para o problema da pobreza. A tarefa para as grandes empresas, diz ele, é romper com a lógica dominante que vê os pobres do mundo como uma distorção que deve ser corrigida por governos e apoiada por organizações sem fins lucrativos.

O resultado do esforço em atender esse “novo mercado”, não somente será rentável para grandes empresas e consumidores, mas poderia também ser uma grande solução para os sérios problemas políticos e ambientais dos países em desenvolvimento e do mundo moderno.

Há alguns exemplos de empresas que têm um enorme sucesso no mercado de pessoas de baixa renda. Administradoras de cartões de crédito que tiram do pobre a angústia e o constrangimento de ter que fazer cadastro em todas as lojas. Bancos que fazem pequenos empréstimos que resolvem problemas pontuais simples para uma família de baixa renda.

Lojas  e centros comerciais voltados exclusivamente a produtos populares que atendem a uma demanda concreta por produtos com características mais simples e com boa qualidade. Agências de viagem especializadas em turismo para pessoas de baixa renda. São inúmeros os exemplos de empresários que descobriram formas de empresariar levando em consideração as necessidades concretas do mercado dos pobres.

Muitos chamarão esses empresários de exploradores de pobres. Mas a verdade é que se eles não existissem os pobres continuariam relegados à marginalidade do mercado.

E todas as pesquisas provam que o pobre paga suas contas em dia. Quem não paga é a classe média e alta. O pobre dá um extremo valor ao seu crédito e ao seu nome, um dos ou senão o seu maior e único patrimônio.

Pense nisso. Sucesso!

Por Luiz Marins

Aquilo que o dinheiro não compra

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Bom dia queridos leitores. Muitas pessoas almejam uma situação financeira confortável e passam a vida fazendo planos sobre o que fariam se tivesse, alguns milhões de reais a mais na conta bancária. Valendo-me do ditado popular que afirma que “dinheiro não traz felicidade” - e não me venham os mais bem-humorados argumentar que ele manda buscar - gostaria de lembrar-lhes que a maior riqueza desta vida é algo que o dinheiro não pode comprar: o conhecimento e, consequentemente, a realização pessoal e profissional.

Não faltam exemplos de pessoas milionárias, que se apegam a hábitos extravagantes para esconder sua frustração. Michael Jackson e outras tantas personalidades construíram uma carreira de sucesso, mas ao mesmo tempo, foram / são pessoas infelizes. Longe de cometer atitudes tão extremas quanto as do Rei do Pop,  a apresentadora Xuxa é citada pelo nosso colaborador, professor Marins, em um de seus textos.

Isto porque, em 2005, ela declarou à Revista Época que errou e se arrepende por “não ter estudado inglês e se formado em Veterinária”. A partir daí, Marins propõe uma interessante reflexão sobre os motivos que levaram Xuxa a dar tal declaração e chega a uma conclusão com a qual eu concordo plenamente. As pessoas tem a ilusão de que a verdadeira felicidade está nos bens materiais e, com isso, acabam esquecendo-se de cultivar o seu maior tesouro: o conhecimento, uma das poucas coisas “ que ninguém pode nos tirar, nem o mais esperto assaltante, nem o mais tirano governante”.

A este tesouro, acrescento outros: o sorriso e a companhia de quem a gente gosta, a oportunidade de estar em contato com a natureza e a satisfação por ver um sonho - pelo qual você lutou durante algum tempo - realizado. Não existem palavras capazes de descrever estes momentos. Acreditem, estou vivendo um destes nesta semana. A felicidade que sinto é algo que não posso explicar, apenas posso dizer que “dinheiro nenhum compra”.

É com essa mensagem positiva que me despeço, aproveitando para lembrar-lhes que amanhã é dia do Professor Marins, aqui, no Advance Blog.

Bom dia.

Por Piero Vergílio

Quando dizer “eu não sei”

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Ele era médico cardiologista de renome. Estava em meio a um festivo grupo, daqueles que se reúne em qualquer lugar e sem motivo. No grupo, comerciantes ricos, um industrial de pequeno porte (a indústria) um funcionário público, um político contumaz e um bancário. O assunto era “hipertensão arterial e seus riscos”.

Não deu outra: todos entendiam do assunto mais que o renomado jurado de Hipócrates. O pobre médico, entre pasmo e irritado com tantas asneiras que eram ditas com ares doutos pelos seus companheiros de charla, mal obteve espaço para dizer um “A”. E quando ele encontrou a brecha e falou algo da ciência que lhe era afeita, foi logo “desmentido” (sic) pelo fátuo comerciante que lhe disse: “- Já vi que disso você não entende nada” e logo mais adiante o industrial emendou: “- Li numa revista, na sala de espera do meu dentista, que não é nada disso…”.

Não preciso dizer que a conversa terminou com todos discutindo um assunto do qual só um entendia e que foi literalmente proibido de falar. E é sempre assim.

Tenho participado de rodinhas as mais incríveis em que os assuntos são dogmaticamente colocados com a firmeza, segurança e tom diretamente proporcionais à ignorância dos participantes.

Outro dia tive que ouvir calado um advogado discorrer sobre “antropologia dos primitivos” (sic) e dizer tantas patacoadas quanto sua frenética boca era capaz de produzir, uma vez que não posso admitir que aquele amontoado de impropriedades possa ter vindo de alguma inteligência.

E o mais interessante é que essas pessoas ainda concluem as suas doutrinações com a frase: “Sei tudo isso porque leio muito. Leio 4 livros por semana…”

O que tem de gente que lê 4 livros por semana em nossa terra, não é brincadeira! E não são aposentados, nem pensionistas do INPS. São homens e mulheres da lide. E quando pergunto como conseguem e a que horas lêem tanto, respondem que lêem à noite, pois odeiam novelas. Passo a comentar os capítulos da Roda de Fogo e essas pessoas estão a par de todos os detalhes da morte do Paulo Costa e da doença do Renato Villar…

E é por tudo isso que as conversas e as reuniões sociais em nossa terra são tão chatas. Todo mundo fala, e sempre dogmaticamente e sempre emocionalmente, das coisas de que não entendem e que, de fato, não tem nenhuma obrigação de entender. Quem entende do assunto em pauta, desiste de falar, concorda “democraticamente” (sic) com a troupe ignara e o assunto acaba, murcha, e todos saem mais burros do que quando começaram. E como seria bom, se pudéssemos ouvir o comerciante falar do seu comércio, o advogado de suas causas, o médico de sua ciência, o artista de sua arte, perguntando, discutindo, crescendo, aprendendo, fazendo ilações, criando analogias e buscando intercomplementariedades.

A maior virtude do homem é saber dizer “EU NÃO SEI” ou “EU NÃO ENTENDI” e perguntar e querer saber. Convivemos há anos com uma pessoa e não sabemos sequer o que ela faz, como faz, porque faz. Julgamos, pré-julgamos, opinamos, sem saber, sem conhecer, sem sequer perguntar.

Parece que temos uma terrível vergonha de não saber de tudo, de não entender de tudo, de não ser doutor em tudo. E aí caímos no ridículo de doutrinar unicamente pela intuição.

E não me julguem os leitores um néo-positivista que acha que uma pessoa não deve sequer pensar sobre aquilo de que não entende. Pelo contrário, sou adepto do discutir, do perguntar, do debater, do rebater, do perquirir, do cismar, para que então, passemos a compreender melhor aquele determinado assunto. Porém, não vamos nos confundir. Não é simplesmente pelo fato de ter conhecido um pouco mais de determinado tema que posso pontificar sobre ele em outros grupos. Essa “cultura de almanaque” e Você Sabia?” não leva ao conhecimento do espírito crítico, tão necessário em nossos dias e para nossas relações sociais.

Talvez a nossa avidez em discutir futebol (também sem entender) nos tenha levado a pensar que todos os assuntos possam ser debatidos com a mesma insensatez que o ludopédio. Ouvi um dia, um emérito professor de Direito Constitucional desesperar-se com as impropriedades que vêm sendo ditas sobre a “Carta Magna” nestes tempos em que milhões de semi-disléticos passaram a sentenciar sobre o tema (sic).

Por Luiz Marins

Aberta temporada de “caça” aos NERDS

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Na ficção, eles são retratados como sujeitos afccionados por informação e conhecimento que, por isso mesmo são tímidos e pouco sociáveis. Todavia, o termo hoje é usado para descrever um jovem muito bem relacionado (graças as redes sociais), ávido por informações e que se comunicam com desenvoltura em vários idiomas.

Tais características vem despertando cada vez mais a atenção das empresas. De acordo com a Revista Você / SA, o interesse pelos nerds se acentuou no mês passado, quando o escritório de Londres do banco americano de investimentos Morgan Stanley publicou um relatório escrito por um de seus estagiários - o jovem Matthew Robson, de 15 anos - que revela, com riqueza de detalhes, como os jovens de sua idade consomem e interagem com a internet, celulares, cinema, televisão, jornais e rádio.

A  reportagem diz ainda que as corporações estão buscando se conectar com esses jovens cada vez mais cedo e cita como exemplo o o programa Summer Job, criado pela AmBev para dar um novo fôlego aos trainees, que deve entrar em vigor ainda este ano. Por meio do Summer Job o estudante universitário pode passar suas férias trabalhando para a AmBev, com todos os direitos de um funcionário regular: salário mais benefícios e tem a oportunidade de voltar à empresa (se for bem avaliado ao fim do primeiro estágio) em suas próximas férias, para uma área diferente da experimentada anteriormente.

Em outras palavras, a instituição quer conhecer melhor esses talentos, passar mais tempo com eles.  Mas as estratégias para se aproximar desse público não se limita ao Summer Job. A empresa busca novos meios de interação com essa turma. Uma das possibilidades cogitadas é a de que seus executivos passem a gerenciar blogs corporativos, que teriam por finalidade contar um pouco de sua trajetória, compartilhar suas impressões sobre o mundo dos negócios e, principalmente, responder a perguntas dessa galera movida à informação.

Por Piero Vergílio

Tenha tempo para as coisas essenciais da vida

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

É pura verdade que o mundo de hoje é estressante, corrido, impiedoso até. O aumento da competição pelo emprego, para vencer a concorrência, para desenvolver novos produtos e serviços tem nos feito trabalhar mais e mais - vivemos numa verdadeira roda-viva! Cuidado!

Pessoas estressadas, cansadas, mal dormidas, mal humoradas não conseguem desenvolver a criatividade tão necessária para vencer. Pessoas que só pensam em trabalhar, trabalhar, trabalhar não têm cabeça livre para criar e inovar. Cuidado!

Tempo é questão de preferência! É preciso achar um tempo para você, para sua família, para sua recreação e para o seu lazer. É preciso ter tempo para ir a um cinema, a um jogo de futebol, a um restaurante. É preciso ter tempo para ler um bom livro, passear, viajar com a família, visitar amigos e “jogar conversa fora” de vez em quando. É preciso ter tempo para brincar com os filhos, participar da escola em que estudam, assistí-los num jogo ou num balé. É preciso ter tempo para ir a um teatro, a um circo, a uma festa sertaneja ou feira que esteja acontecendo na cidade.

Quem só trabalha vira “bicho”! Quem só trabalha, só fala em serviço, fica isolado. Ninguém o suporta! Cuidado! Conheço pessoas que “deram a vida” para o trabalho e terminaram estressadas e enfartadas e o que é pior, sem o reconhecimento dos outros. O que sua empresa quer é a sua inteligência, criatividade, capacidade inovadora, motivação, comprometimento e não o seu “sangue”.

Pense nisso. Será que você está dando o necessário tempo para a sua recuperação física e psíquica? Não estará você querendo provar para você mesmo que é um super-homem ou uma super-mulher que só pensa em trabalhar, trabalhar, trabalhar? Tenha tempo para as coisas essenciais da vida!

Por Luiz Marins

CONARH 2009 discute oportunidades e tendências em tempos de crise

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Já há alguns meses, o mundo procura soluções e alternativas para a crise. De um curto período de exuberante crescimento, mudamos nossas expectativas em direção a um caminho mais tortuoso. Neste cenário,   surge a oportunidade de romper com o funcionamento do sistema. O processo de transformação é dinâmico e definitivo: uma vez superado um comportamento, não há volta ao modelo anterior.

Na luta pela sobrevivência, as pessoas tendem a priorizar as ações que apresentem resultados a curto prazo. A grande questão é o que fazer para converter o imediato em sustentável. Para o Coordenador do Comitê de Criação do CONARH, Luiz Augusto M. da Costa Leite, “não adianta procurar soluções em modelos funcionais clássicos, pois as redes são a nova forma de divisão do trabalho. Também não cabe manter estruturas hierárquicas convencionais, visto que o conhecimento flui horizontalmente. Sabemos, portanto, qual é a tendência e é nossa obrigação discutí-la”.

Encontrar oportunidades para superar a realidade - sempre respeitando-a - é o principal objetivo da 35ª edição do CONARH (Congresso Nacional sobre Gestão de Pessoas), que é o maior e mais importante  evento deste setor na América Latina e acontece entre os dias 18 e 21 de agosto no Transamerica Expo Center, em São Paulo (SP). Realizado anualmente, conta com a participação de organizações e profissionais interessados em se aprofundar num dos temas mais ricos, complexos e desafiantes da atualidade: a Gestão de Pessoas.

O Congresso  também abrirá espaço para a divulgação de novas práticas e pesquisas no setor, por meio da Sala de Inovação, área da EXPO ABRH dedicada à apresentação de trabalhos e estudos realizados por especialistas, pesquisadores e professores para um público interessado em práticas inovadoras.

Em 2008, nos quatro dias de evento, aconteceram cerca de 180 atividades simultâneas.  Mais de 700 empresas  puderam expor seus produtos e serviços para um público aproximado de 19 mil pessoas. Outras informações podem ser obtidas no site oficial do evento.

Por Piero Vergílio

Assertividade X Agressividade

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Você sabe a diferença entre assertividade e agressividade? Embora a linha que separe os dois comportamentos seja muito tênue, é muito importante esclarecer que são atitudes distintas. Na verdade, a pessoa assertiva não é necessariamente agressiva: é  direta, objetiva e não sente receio ou culpa ao dizer o que precisa e / ou pensa. Sem drama.

Em um mercado altamente competitivo, a assertividade pode se tornar um diferencial importante. Não hesitar na hora de tomar decisões difíceis é um grande passo para o sucesso.  Saber dizer não  quando necessário e expor seus argumentos, aliados à  apacidadade de se expressar com exatidão e a um bom planejamento  são características dessas pessoas, que exercem um papel crucial no mundo corporativo, pois são responsáveis por agilizar a tomada de decisões, diminuir a improdutividade e propagar novas ideias.

Bom fim de semana!

Por Piero Vergílio

Não vai dar certo!

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Éramos todos animados. Combinávamos todos os detalhes da operação. Nada poderia dar errado. Já antevíamos o sucesso e antecipadamente comemorávamos. Até que ele apareceu.
Com seu olhar taciturno, com sua voz rouca e cavernosa, com as mãos nos bolsos como de costume, passos miúdos e silentes, ele chegou, ouviu os relatos com seus ouvidos incrédulos, tirou as mãos dos bolsos, tomou os planos, leu-os com displicente superioridade e vaticinou: NÃO VAI DAR CERTO!
Foi um balde d’água fria em nossos ânimos confiantes. Perguntamos a ele, qual a razão de tanto pessimismo e ele vaticinou novamente com Júpiter: VAI CHOVER.
Ficamos loucos da vida. Perguntamos como ele poderia saber, com tanta antecedência as condições meteorológicas do local do evento. E ele, de baixo (sic) de seu astral negro e agourento pontificou: QUANDO AS COISAS SÃO PROGRAMADAS PARA SEREM FEITAS AO AR LIVRE, SEMPRE CHOVE NA HORA…
Ficamos atônitos diante dos vaticínios e pontificações do nosso amigo (sic). Decidimos nos precaver contra as intempéries. Telefonamos para uma empresa de aluguel de coberturas plásticas e tivemos a garantia de colocação no local, de uma boa cobertura alaranjada que até daria um aspecto mais refinado ao dito evento.
O nosso amigo (sic) que havia deixado a sala para ir ao banheiro, pois que havia sido acometido de uma pequena intoxicação alimentar por conta de um quarto de leitoa que um subalterno lhe havia agraciado, voltou. Contamos a ele sobre a cobertura. Pronto. Estava tudo resolvido. São Pedro não poderia mais nos fazer fracassar.
E quando esperávamos dele um sorriso, uma aprovação, um gesto de mínimo otimismo, eis que ele nos pergunta: “QUAL A FIRMA QUE FARÁ A COBERTURA?”. Ao respondermos ele emendou: “… SE VENTAR, CAI TUDO NO MEIO DO EVENTO. EU NÀO FARIA COM ESSA FIRMA…”. Argumentamos, sôfregos, que era a única empresa na cidade com capacitação para essa tarefa. Um dos membros do grupo afirmou ter participado de um casamento onde uma cobertura similar, pela mesma empresa, teve ótimo desempenho. E o nosso amigo (sic) virando as costas para o grupo, deu um olhar de semi-riso e disse: “DEPOIS NÃO DIGAM QUE EU NÃO AVISEI”.  E saiu.
O grupo, já contaminado pela dúvida, pela incerteza, teve um momento de profundo silêncio. Afinal ele poderia ter razão. E se a cobertura caísse em meio às festividades. Seria um vexame. Um membro do grupo, mais pragmático, tomou o telefone e ligou para o Serviço Nacional de Meteorologia inquirindo sobre o tempo. Recebeu como resposta uma sonora gargalhada do funcionário que explicou, pacientemente, que não há (pelo menos ainda) como se prever o tempo com 90 dias de antecedência… A obviedade da resposta caiu como iceberg no grupo que já começou a imaginar até ferimentos graves e mortes de indefesos infantes em meio a uma violenta tempestade de ventania na hora exata do dito vento. O clima era de completo desalento entre os partícipes do ex-animado grupo.
O pessimismo, o mau agouro, a incerteza, a negatividade venceram. A festa foi cancelada. O nosso amigo (sic) saiu vitorioso com o seu nihilismo de subversão ao fazer.
O que me impressiona é o número de pessoas negadoras e que só conseguem ver o beco-sem-saída do fracasso, da perseguição, da desconfiança, que só conseguem vislumbrar as nuvens negras das tempestades destruidoras no horizonte.
E o mais interessante é que condicionados por essa carga extremamente negativa, esses infelizes são verdadeiros imãs que atraem para si toda a sorte de desgraças e infortúnios. Só pensam nas falências e recessões da economia, e não caminham contra a luz, pois desconfiam da própria sombra.
Pessoas assim deveriam ser interditadas ao convívio das pessoas sadias. Elas infundem o medo, a insegurança, o temor pelo fazer. Elas trazem a tristeza, espantam o bom-humor, murcham as esperanças e quebram a boa-fé.
O pior, no entanto, é que elas se auto-denominam “realistas”. E ainda pior é que têm razão, pois a sua “realidade” é realmente negra e turbulenta como as asas da graúna. Nos seus eventos, realmente chove. Nas suas festas a comida intoxica os convidados. Perdem uma safra com o excesso de chuva e a seguinte pela seca das caatingas. A vida para essas pessoas é um peso insuportável e por isso cometem o maior dos pecados que é o crônico mau humor. Espalham a cizânia, semeiam a dissenção e se recolhem à noite, amedrontados com o dia seguinte, que, com certeza, trará ainda mais desgraças.

Por Luiz Marins